domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Cigarra e seu Trabalho


Hoje fiquei em um dado momento, desesperado por algo como Mercy Street e me mantive acordado, até para ficar só. É comum a solidão da madrugada me abrir o coração, abafado pelo convívio humano assustador que o dia sugeriu cinicamente, como se houvesse escolha.
A madrugada veio, a solidão. Não funcionou. Veio junto tristeza, saudade. A música, antes mesmo de ser carregada, foi vista por meus olhos impacientes na tela do computador e meus ouvidos me disseram: Quantas vezes você não nos deu essa música? Já funcionou antes... agora a música está carregando e você vai ouvir... ela vai acabar. Ela sempre acaba. Você continuará acordado e sentindo esse vazio.
A vida pede urgência, mas ela pede isso sentada, com um chapéu estendido e uma voz sem força. De repente a música amada se transformou no jargão de um mendigo profissional.
Abro uma garrafa e destruo de vez o dia de amanhã? Não... já fiz isso ontem.
Já ouvi demais a música, gastando o número limitado de vezes que uma música pode fazer mágica por nós sem ser deixada em paz por uns tempos.
Acho que todos dormem... e sei que acordarão ocupados. Poderia eu estar automatizado e calar a mente? Fazer parte?
Poderei eu seguir nessa noite sem amanhecer? Não sei amanhecer.
Seria perfeito se as formigas tivessem convidado a cigarra para animar-lhes o inverno. Invejosas, covardes.

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