Hoje fiquei em
um dado momento, desesperado por algo como Mercy Street e me mantive acordado,
até para ficar só. É comum a solidão da madrugada me abrir o coração, abafado
pelo convívio humano assustador que o dia sugeriu cinicamente, como se houvesse
escolha.
A madrugada
veio, a solidão. Não funcionou. Veio junto tristeza, saudade. A música, antes
mesmo de ser carregada, foi vista por meus olhos impacientes na tela do
computador e meus ouvidos me disseram: Quantas vezes você não nos deu essa
música? Já funcionou antes... agora a música está carregando e você vai
ouvir... ela vai acabar. Ela sempre acaba. Você continuará acordado e sentindo
esse vazio.
A vida pede
urgência, mas ela pede isso sentada, com um chapéu estendido e uma voz sem
força. De repente a música amada se transformou no jargão de um mendigo
profissional.
Abro uma
garrafa e destruo de vez o dia de amanhã? Não... já fiz isso ontem.
Já ouvi demais
a música, gastando o número limitado de vezes que uma música pode fazer mágica
por nós sem ser deixada em paz por uns tempos.
Acho que todos
dormem... e sei que acordarão ocupados. Poderia eu estar automatizado e calar a
mente? Fazer parte?
Poderei eu
seguir nessa noite sem amanhecer? Não sei amanhecer.
Seria perfeito
se as formigas tivessem convidado a cigarra para animar-lhes o inverno.
Invejosas, covardes.
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