segunda-feira, 6 de agosto de 2012

apenas mais um foda-se

Este é meu primeiro "apenas mais um foda-se". Fazia tempo não escrevia aqui e injustificavelmente sem sono, depois de ter postado o texto (antigo e percebi, ainda porcamente revisado) sobre o Mário que escrevi em 2005 quando Regina ainda era viva e éramos, eu e ele, vizinhos, vi erros de português. Alguns deixo propositadamente e permito o colóquio, outros, não, sendo mesmo vacilos meus.
Encontrei erros de CONCORDÂNCIA nas postagens! O que fazer, a não ser tocar um "foda-se" e dar a cara à tapa?

Haverá mais erros agora, menos revisão. Haverá mais frequência e mais dia-a-dia aqui. Essas postagens serão chamadas todas de "apenas mais um foda-se". Já fazia algum tempo que eu queria fazer algo parecido.

Carta ao Amigo Sete Anos Depois


Que porra de bicho é você, meu amigo...?!
Pela manhã, cedinho... numa destas raras em que estou lúcido e orientado, olhei pro lado e vi você! Seja na rua em cima da bike, ou na varanda em frente, relaxando, preparando... O fato é que na ocasião ficou claro que você pertencia àquele esquema matinal... que você é que tava certo... e essa minha vida de lobo ainda vai me matar mais cedo do que meus propósitos possam permitir... eu ali, ressaqueado e incógnito, vi que o Sol não veio em vão pra você e agito um lenço branco pra ele, numa trégua que resultou em uma bananada, uma balançada de braços na frente do peito e uma expirada forte de “é isso aí meu irmão!”.
Madruga adentro agora, vejo tudo no silêncio dos inocentes (tão letais...), uivo na minha colina... e lembro do passado aqui debaixo de minha janela. Lembra dos shows no Paulo Sarasate?! Do Quatro Estações e de como a gente esperava os discos serem lançados?! Lembra da Andréa?! Não, né? É que ela é um dos nomes do meu passado. Sei que o seu também traz nomes de mulher. O do Lango também... o do Neudo.
Como nossas mães eram diferentes de hoje! Tínhamos uma vida inteira pela frente e não nos prepararam pra nada! Agora a vida inteira pela frente se converteu em prazos desumanos... caralho, brother... estamos por nossa conta.
Você tá acordado. Passei pela tua janela e tem uma luz tão acesa, tão amarela. A impressão que dá é que você pertence a esse esquema da madrugada também, alerta... que você é que tá certo de novo... e essa minha vida agora de ovelha não combina comigo e... que porra de bicho é você meu amigo...?! Manhã...? Madrugada...?! Aonde é que a gente se encaixa depois de ter ido tão longe?
A gente não envelheceu, Mário. A gente não amadureceu. A gente não morreu. A gente não enriqueceu. A gente não se mudou. Parece que somos os únicos que ainda usam a madrugada dessa forma... mas quer saber? Vai ver é isso mesmo e pro resto da galera era só uma fase...
Escrita é isso Mário. Se você levantar e tentar ver se eu tô em casa, talvez eu não esteja. Sei lá quando você vai ler isto... mas eu tô em casa agora, você também... o trem tá passando... como era exatamente há uns vinte anos atrás. A escrita é isso, Mário, nos une independente de quando e onde, porque eu estou escrevendo nesta tela agora, e você está lendo isto sei lá quando. A escrita é um documento, um código atemporal e alocal, que une as pessoas certas em prol do que realmente interessa ler, a verdade!
Que porra de bichos somos nós?! Nadando contra a corrente, e cada vez mais fortes e cansados, nadamos no mesmo lugar e vemos o mesmo lugar com olhos diferentes...
A gente pensou que a esta hora já teria chegado à nascente, né?
            Que deus nos abençoe, Brother, pois é hora de sair do rio! Pois a nascente se alcança a pé, de maneira marginal, não nadando! Sei que a gente nada melhor que todo mundo que foi na correnteza, porque a gente exercitou contra ela, mas nossas pernas seguirão o mesmo exemplo e ficarão tão fortes quanto nossos braços. Seremos homens completos na terra e na água, mesmo que no final a gente se solte na água e reencontre cada trecho de rio que um dia foi vencido a pé, à margem... para encontrarmos um mar que há de nos respeitar e aos nossos dedos calejados, com couro de bichos do mundo, mais do que pôde respeitar aos seres atrofiados que nos consideraram tolos com seus dedos enrugados com pele fina de tomate!
                Força Brother! Não vamos cair quando sangrarmos, nem vamos sangrar em vão!